Milhares de fiéis participaram na manhã de sábado (13) da cerimônia de beatificação do Padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano que dedicou sua vida à evangelização no Brasil e foi martirizado em 2001. A celebração aconteceu na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Jauru, reunindo peregrinos de diversas regiões do Brasil e de países como Argentina, Bolívia, Estados Unidos e Coreia do Sul.
A Santa Missa foi presidida pelo Dom João Braz de Aviz, delegado do Papa Leão XIV para a celebração, e contou com a concelebração de sete bispos e dezenas de sacerdotes do Brasil e do exterior.
O Bispo da Diocese de São Luiz de Cáceres, Dom Jacy Rocha, destacou a dimensão da celebração e a força da comunhão eclesial. “Quanta gente! Um mar de gente. Como é bonito ver a nossa Igreja irmanada nessa celebração de hoje”, afirmou.
Reconhecimento do martírio
Durante o rito de beatificação, Dom Jacy e o vice-postulador da causa, Padre Evandro Stefanello, apresentaram a trajetória do novo beato, destacando sua intensa vida espiritual, sua dedicação pastoral e o martírio sofrido por ódio à fé em 11 de fevereiro de 2001.
“Padre Nazareno, alimentado por uma vida espiritual muito intensa, realizou uma ação pastoral profunda e comprometida”, ressaltou Padre Evandro. “Sua morte foi acompanhada, desde o início, por uma sólida fama de martírio e por numerosos sinais de graça”, completou.
Na Carta Apostólica que oficializou a beatificação, assinada pelo Papa Leão XIV, o pontífice definiu o novo beato como “missionário infatigável do Evangelho, fundador fecundo de obras de caridade social e promotor dedicado da devoção mariana”.
Com a proclamação, Padre Nazareno Lanciotti passa a ser celebrado liturgicamente no dia 12 de janeiro de cada ano. Após a leitura da carta, a imagem oficial do novo beato e suas relíquias foram conduzidas ao altar ao som do hino preparado para a ocasião. No relicário, estavam expostos fragmentos ósseos do sacerdote, extraídos durante a exumação realizada em novembro de 2025.
Uma vida entregue à missão
Em sua homilia, Dom João Braz de Aviz recordou a trajetória do sacerdote, nascido em Roma, que deixou sua terra natal para ser missionário em Jauru, em 1972. “Ele deixou sua terra por causa do Evangelho. Partiu para uma região distante, em um momento em que esta terra ainda dava seus primeiros passos de desenvolvimento. Fez isso movido pelo desejo sincero de seguir Jesus”, refletiu o cardeal.
O purpurado também destacou a profunda espiritualidade do novo beato, centrada na Eucaristia e na devoção à Virgem Maria, fontes de força para seu trabalho junto aos mais pobres e para o enfrentamento das injustiças sociais.
“Foi dessa intimidade com Cristo que nasceu sua coragem para servir os mais vulneráveis e combater realidades dolorosas como a exploração de menores, a prostituição infantil e o tráfico de drogas nesta região de fronteira entre Brasil e Bolívia”, afirmou.
Dom João convidou os fiéis a se inspirarem no testemunho do novo beato, especialmente em um tempo marcado por desafios à vivência da fé cristã. “A figura luminosa do Beato Nazareno Lanciotti é um chamado a reacender os valores do Evangelho e a reconhecer que seguimos necessitando da presença salvadora de Deus em nossa história”, destacou.
Um legado que permanece
Ao final da celebração, Padre Luca Pescatori, movimento ao qual Padre Nazareno pertencia, agradeceu pelo reconhecimento da Igreja e recordou a fecundidade do ministério do mártir. “Os frutos de sua ação sacerdotal continuam vivos nos filhos e netos daqueles que o conheceram e que hoje seguem a luz de Cristo”, afirmou.
Além da celebração eucarística, a programação festiva em Jauru incluiu visitas ao túmulo do novo beato, às obras sociais fundadas por ele e ao local onde sofreu o martírio, espaços que preservam viva a memória de sua entrega total ao Evangelho.
Com foto de Simone Guedes (Arquidiocese de Cuiabá) e informações da CNBB