A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) participou, no último dia 17 de junho, da 8ª Assembleia Geral da Associação Hutukara Yanomami, realizada em Roraima. A presença da REDESCA no Brasil faz parte de uma missão oficial realizada entre os dias 15 e 19 de junho, com o objetivo de contribuir para a elaboração do Relatório Regional sobre Mineração Ilegal de Ouro: Território e Impactos nos Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais na Amazônia e no Escudo Guianense. A delegação, liderada pelo relator especial Javier Palummo, cumpriu agenda em Brasília e Boa Vista, ouvindo representantes do poder público, organizações da sociedade civil, defensores de direitos humanos e povos indígenas atingidos pela mineração ilegal.
Durante a assembleia, estiveram presentes importantes lideranças do povo Yanomami, entre elas Davi Kopenawa e Dário Kopenawa, que apresentaram relatos sobre os impactos do garimpo ilegal nos territórios indígenas. Segundo Javier Palummo, a missão busca aprofundar a escuta junto às populações afetadas para compreender de forma mais ampla as consequências da mineração ilegal na região amazônica.
“A visita ao Brasil e os encontros realizados com lideranças indígenas, organizações da sociedade civil, instituições e pessoas afetadas pela mineração ilegal de ouro foram muito importantes para aprofundar a escuta direta sobre os impactos dessa problemática nos direitos humanos”, afirmou.
O relatório em elaboração terá caráter regional e abordará a realidade de diversos territórios da Amazônia e do Escudo Guianense, analisando questões como saúde, acesso à água e à alimentação, preservação dos territórios indígenas, identidade cultural, contaminação por mercúrio e os riscos enfrentados por lideranças e defensores de direitos humanos.
Ao longo da assembleia, lideranças Yanomami denunciaram a continuidade da presença de garimpeiros ilegais em seus territórios e os graves efeitos dessa atividade. Entre os principais problemas apontados estão o aumento de doenças, a contaminação dos rios por mercúrio, a exploração sexual, o alcoolismo, a circulação de armas e a destruição ambiental. Além disso, foi manifestada preocupação com iniciativas que possam favorecer a legalização da mineração em terras indígenas, com apelo por maior atenção da comunidade internacional diante da situação enfrentada pelos povos originários.
Representando a REPAM-Brasil, Dom Evaristo Spengler reafirmou a proximidade da Igreja com o povo Yanomami e o compromisso com a defesa de seus direitos. “Ouvi muitos relatos sentidos de um povo profundamente agredido, que pede socorro pela invasão de suas terras, pela derrubada das suas florestas, pela contaminação das suas águas e pelas doenças que assolam hoje o povo Yanomami”, destacou.
Dom Evaristo reforçou ainda que a Igreja seguirá ao lado dos povos indígenas na defesa da vida, dos territórios e da dignidade humana. “A Igreja e a REPAM são aliadas dos povos indígenas. Temos um profundo compromisso com a causa indígena, com seus territórios e seus direitos à saúde, à educação e à vida digna. Continuaremos ao seu lado, reconhecendo-os como protagonistas desta luta e caminhando juntos na defesa da vida, hoje gravemente ameaçada”, afirmou.
A 8ª Assembleia do povo Yanomami também recebeu uma mensagem especial de Papa Leão XIV, enviada por meio da Secretaria de Estado do Vaticano ao bispo de Roraima. (Clique aqui e leia na íntegra!)
Na carta, assinada pelo Cardeal Pietro Parolin, o Santo Padre manifestou alegria pela realização do encontro e assegurou suas orações para que a assembleia fortaleça a união dos povos em torno de seus valores, tradições e identidade cultural.
O Papa destacou que esses valores estão “enraizados na dignidade única e incomparável da magnífica humanidade comum a todos”, reafirmando o reconhecimento da Igreja à riqueza espiritual, cultural e humana dos povos originários.
Ao concluir a mensagem, o Pontífice invocou bênçãos sobre todos os participantes e, de modo especial, sobre o povo Yanomami, reforçando a proximidade da Igreja com os povos indígenas da Amazônia e seu compromisso com a defesa dos direitos, dos territórios e da ecologia integral.
Com foto e informações da CNBB.