O Papa Leão XIV rezou o Angelus deste domingo, em Castel Gandolfo, onde se encontrava por ocasião da Solenidade da Assunção da Virgem Maria, celebrada em 16 de agosto. Diante dos fiéis reunidos na Praça da Liberdade, o Pontífice refletiu sobre o Evangelho do XX Domingo do Tempo Comum, que apresenta o encontro de Jesus com a mulher cananeia, narrado por São Mateus (Mt 15,21-28).
Ao recordar a Assunção de Nossa Senhora, o Pontífice destacou a profunda união entre Maria e seu Filho. Segundo o Papa, nem mesmo a morte foi capaz de interromper essa comunhão, que alcança a plenitude na vida eterna. Para o Santo Padre, a celebração também recorda aos cristãos que a ressurreição de Cristo não pertence apenas ao passado, mas representa uma vida nova que já envolve aqueles que seguem Jesus.
No Evangelho, a mulher cananeia, apesar de ser estrangeira e não pertencer ao povo de Israel, aproxima-se de Jesus com insistência, pedindo a cura de sua filha. Inicialmente, sua presença é vista como incômoda pelos discípulos e Jesus também resiste ao pedido. Entretanto, diante da fé daquela mulher, o Senhor reconhece sua confiança e afirma: “Mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas”.
A atitude da cananeia, explicou o Papa, revela uma fé capaz de ultrapassar fronteiras e transformar encontros inesperados em oportunidades para reconhecer a ação de Deus. “Também hoje a Igreja pode deixar-se surpreender pela obra de Deus e comunicar a paz de Cristo para além das fronteiras já traçadas”, afirmou Papa Leão XIV.
O Pontífice ressaltou ainda que a ação de Deus muitas vezes se manifesta de maneira silenciosa, no interior das consciências e por meio de encontros que nem sempre correspondem aos planos humanos. Por isso, segundo ele, é necessário estar atento àquilo que Deus deseja comunicar. “É preciso prestar atenção, abrir os olhos e abrir o coração ao que Deus nos quer dizer”, destacou.
Ao comentar a postura da mulher cananeia, o Papa apontou duas atitudes que os cristãos são chamados a aprender: humildade e determinação. A fé daquela mulher, segundo o Papa, revela que ninguém está excluído da mesa de Deus.
“Graças à sua fé, aprendemos que a mesa de Deus está preparada para todos e que a ninguém estão reservadas só as migalhas porque cada um, junto do Pai, tem o seu lugar. À luz desta fé, as desigualdades, as discriminações e as barreiras que pisam a dignidade de tantos filhos e filhas de Deus tornam-se insuportáveis”, afirmou.
A reflexão do Pontífice reforçou o chamado da Igreja para ser sinal da paz de Cristo em um mundo marcado por divisões e conflitos. A exemplo da mulher cananeia, a comunidade cristã é convidada a reconhecer a ação de Deus para além das fronteiras e dos limites humanos.
Ao concluir, o Papa recordou a missão da Igreja diante de um mundo que sofre e busca a paz. “Somos a Igreja de Jesus Cristo num mundo atormentado, que procura a paz. A Maria, nossa Mãe, pedimos que interceda por nós”, concluiu o Papa.
Com foto, vídeo e informações do Vatican News.