O amor, centro da vida cristã

XXX Domingo do Tempo Comum

No Evangelho deste domingo (Mt 22, 34 – 40), os fariseus querem experimentar Jesus e Lhe fazem uma pergunta fundamental:  Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? Essa pergunta, dirigida a Jesus por um fariseu e para colocá-Lo à prova, conduz-nos ao coração da vida cristã. Em meio a tantos preceitos, Jesus faz uma bela síntese da Lei: o amor a Deus e ao próximo. Colocando esses dois amores no centro, Jesus mostra que a fé encontra a verdade numa vida que se deixa transformar pelo amor.

Jesus responde retomando as palavras do Deuteronômio: «Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento» (Dt 6, 5). Deus deve ser amado com a inteireza da nossa existência. O coração, a alma e o entendimento exprimem essa entrega que envolve afetos, escolhas, pensamentos e atitudes. Somos chamados a acolher Deus como o centro que unifica nossa vida e orienta nossas atitudes. Esse amor nasce do encontro com Aquele que nos amou primeiro, que é Amor (1Jo 4, 8.16).  Antes de ser uma exigência, ele é resposta a um dom. Deus nos cria, sustenta-nos e, em Jesus Cristo, vem ao nosso encontro para nos salvar. Na oração, na escuta da Palavra e na participação na Eucaristia, aprendemos a reconhecer Sua presença e a responder com amor ao Seu amor. Quanto mais nos deixamos amar por Deus, mais nosso coração se dilata no caminho do Amor.

Jesus acrescenta: «O segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Ao unir esses dois mandamentos, Ele mostra que o amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis. Nossa relação com o Senhor se expressa, também, na maneira como tratamos as pessoas. O próximo tem um rosto concreto: é a pessoa que vive conosco, o familiar que precisa de escuta, o enfermo que espera uma visita, o pobre que necessita de ajuda, aquele com quem temos dificuldade de conviver. Amar exige que saiamos da indiferença e permitamos que a vida do outro nos toque. Muitas vezes, esse amor se manifesta em gestos simples: oferecer tempo, escutar com respeito, pedir perdão, repartir o pão e recusar palavras que ferem o outro. Amar o próximo como a si mesmo também nos convida a reconhecer nossa própria dignidade de filhos de Deus. O cuidado conosco encontra seu sentido quando nos ajuda a viver com liberdade e a oferecer aos outros o bem que também desejamos receber. Dessa consciência nasce uma fraternidade capaz de superar o egoísmo, a hostilidade e os preconceitos.

Jesus conclui afirmando que desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. O amor é, portanto, o critério que ilumina nossa caminhada pessoal e eclesial, pois quem vive o amor cumpre as Escrituras. Nossas comunidades são chamadas a ser lugares onde a fé se torna acolhimento, a celebração gera fraternidade e a missão se traduz em serviço.

Peçamos ao Senhor a graça de um coração inteiro para amá-Lo e de olhos atentos para reconhecer o próximo. Que, nesta semana, cada um de nós transforme essa Palavra em um gesto concreto de cuidado. Assim, o Evangelho ganhará expressão em nossa vida, e nossas comunidades testemunharão a alegria de pertencer a Cristo.