O REINO CRESCE EM MEIO AO TRIGO E AO JOIO

XVI Domingo do Tempo Comum

O Evangelho de hoje (Mt 13,24-43) nos apresenta algumas das mais belas parábolas de Jesus sobre o Reino dos Céus. Entre elas, destaca-se a do trigo e do joio. Um homem semeia boa semente em seu campo, mas, durante a noite, um inimigo espalha o joio. Quando ambos crescem, os servos desejam arrancar imediatamente a erva daninha. O senhor, porém, responde: “Não. Deixai crescer um e outro até a colheita” (Mt 13,30).

Vivemos numa sociedade que frequentemente deseja soluções imediatas. Queremos eliminar rapidamente tudo aquilo que nos parece negativo: os conflitos, as fragilidades, os erros e até mesmo as pessoas que pensam de maneira diferente. Jesus, porém, ensina a paciência de Deus. Ele conhece profundamente o coração humano e sabe que a história ainda está em construção. Ele vê plenamente onde termina o joio e onde começa o trigo.

Esta parábola nos convida, antes de tudo, a olhar para nós mesmos. O bem e o mal não estão apenas fora de nós; cada coração humano é um campo onde convivem generosidade e egoísmo, fidelidade e fraqueza, santidade e necessidade constante de conversão. O discípulo de Cristo é chamado a permitir que a graça faça crescer o trigo da fé, da esperança e da caridade, combatendo diariamente aquilo que impede o florescimento da vida nova em Deus. Ao mesmo tempo, Jesus nos adverte contra a tentação do julgamento precipitado. Quantas vezes classificamos pessoas de forma definitiva, esquecendo-nos de que Deus continua agindo em suas vidas! A misericórdia divina concede tempo para a conversão, porque o Senhor “não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem ao arrependimento” (cf. 2Pd 3,9). A paciência de Deus nunca é indiferença diante do mal; é expressão de seu amor, que sempre oferece uma nova oportunidade.

O Evangelho apresenta ainda as parábolas do grão de mostarda e do fermento. O Reino de Deus começa pequeno, quase imperceptível, mas possui uma força interior extraordinária. São dos pequenos inícios que toma forma o grande do Reino dos Céus. Assim também acontece na vida cristã, nas nossas comunidades e na história. Um gesto de perdão, uma palavra de esperança, uma oração silenciosa, uma obra de caridade podem parecer insignificantes, mas tornam-se instrumentos pelos quais Deus transforma o mundo.

Em tempos marcados pelo individualismo, pela polarização e pelo desânimo, somos chamados a acreditar na força discreta do Evangelho. A Igreja continua anunciando Cristo não pelo poder das armas ou da imposição, mas pela humilde força do amor, da verdade e do serviço. Cada um de nós é convidado a ser esse pequeno grão de mostarda e esse fermento que faz crescer o Reino nas famílias, nas comunidades, no ambiente de trabalho e em toda a sociedade.

No final da parábola, Jesus recorda que haverá o tempo da colheita. A vida de cada um de nós e a história caminham para um encontro definitivo com o Senhor, quando a justiça e a misericórdia alcançarão sua plena realização. Como ensina Santo Agostinho ao comentar a parábola do joio e do trigo, Deus permite que o joio permaneça até a colheita porque muitos que hoje são joio poderão tornar-se trigo pela conversão. Sua paciência é sempre um chamado ao arrependimento e um estímulo para que os justos perseverem na fidelidade.