A obra corresponde à edição em inglês de E haja paz!, publicada em agosto de 2025 pela Livraria Editora Vaticana. Na reflexão, o Pontífice recorda que a paz é um dos grandes desafios do nosso tempo e, simultaneamente, dom e compromisso: nasce de Deus, mas precisa ser acolhida e construída pela humanidade ao longo da história. Em um mundo ferido por conflitos e violências, ele alerta para as causas que corroem a paz antes mesmo de qualquer batalha, o egoísmo, a ganância, o nacionalismo extremo e a primazia de interesses particulares sobre o bem comum.
O Pontífice sublinha que a recusa em ouvir o outro despersonaliza e fere a dignidade humana, abrindo caminho para toda forma de guerra. Em contraste, conhecer e amar o próximo é já um prenúncio de paz, como ensinava Santo Agostinho, ao afirmar que ninguém conhece verdadeiramente o outro sem amizade.
O Papa propõe compreender a paz em duas dimensões inseparáveis: a vertical, como dom que vem do Alto, e a horizontal, como responsabilidade concreta de cada pessoa. A paz, recorda, foi anunciada com o nascimento de Jesus em Belém e confirmada pelo Ressuscitado ao saudar os discípulos com as palavras “A paz esteja convosco”. Trata-se de uma paz marcada pelas chagas da cruz, que brota de um amor capaz de carregar o sofrimento da humanidade.
Esse dom, porém, exige resposta. A paz se traduz em atitudes cotidianas: educar as crianças para o respeito, combater o bullying, vencer o orgulho, abrir espaço para o outro na família, no trabalho e na sociedade. Ela floresce em corações que cultivam o silêncio, a escuta e a oração, pois Deu, afirma o Papa, nunca legitima a violência, a exploração do próximo ou o abuso da criação.
Diante das guerras que afligem o mundo, o Papa Leão XIV reconhece o sentimento de impotência, mas aponta caminhos. O primeiro é a oração, força “desarmada” que busca o bem comum e liberta o coração do egoísmo. O segundo é a conversão interior: o coração humano é o campo de batalha decisivo, onde se aprende a vencer impulsos de morte e tendências de dominação. Somente corações pacificados podem gerar uma cultura de reconciliação, transformando a desconfiança em oportunidade de encontro.
Por fim, o Papa destaca a responsabilidade da política e da comunidade internacional na promoção da mediação, do diálogo e da diplomacia. Inspirado em Santo Agostinho, ele eleva uma prece para que Deus conceda ao mundo, especialmente aos mais esquecidos e sofredores, a graça de uma paz verdadeira, justa e duradoura.
Com foto e informações do Vatican News.